Hoje, domingo, dia 19 de julho, é a estreia mundial no Fantasia Festival deste Attack On Paradise, filme belga-holandês de crime, violento e muito bem dirigido por Bob Colaers.
O cinema europeu, quando flerta com o submundo do crime e a violência gráfica visceral, costuma ser associado a tradições muito específicas, geralmente concentradas no eixo franco-britânico. É exatamente por isso que Attack On Paradise surge como um soco no estômago tão bem-vindo e revigorante. Uma coprodução belga-holandesa que mergulha sem qualquer pudor na bandidagem, entregando um filme de ação robusto que não deve absolutamente nada a indústrias com um histórico muito mais consolidado nesse gênero.
O grande triunfo dessa surpresa recai, de forma indiscutível, sobre a visão do diretor. Há uma segurança formidável na maneira como ele orquestra o caos e filma a violência. Não há aqui um retrato higienizado ou contido do crime; o filme é sujo, implacável e visualmente dinâmico. Para polos de produção que não costumam exportar esse tipo de criminalidade urbana pesada, a direção demonstra uma maturidade estética invejável, provando que é possível construir sequências de ação com impacto real e narrativa densa.
No epicentro de todo esse cenário brutal está a performance irretocável do ator que dá vida a Souleyman, Saïd Boumazoughe. Assumir o papel principal de uma trama tão carregada exige uma fisicalidade e uma postura que facilmente poderiam descambar para o estereótipo vazio do “gângster genérico”, mas o trabalho aqui é de uma precisão absurda. Souleyman transborda intensidade. Ele ancora o filme com uma presença de tela pesada e autêntica, tornando impossível desviar os olhos de sua trajetória.
Souleyman acabou de sair da cadeia depois de 7 anos e quando vai vistar a mãe, o pr´dio onde ela mora, onde ele cresceu, é invadido pela polícia “pesada” para matar o chefão do crime que lá vive e por lá comanda o submundo desgraçado.
Attack On Paradise leva sólidas quatro claquetes por quebrar as expectativas geográficas do gênero e entregar uma obra violenta, bem dirigida e perfeitamente atuada. Um acerto imenso e uma recomendação obrigatória para quem busca uma ação criminal fora da curva e longe do circuito hollywoodiano padrão.
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