Apesar de não ter gostado quase nada deste NAtal Amargo, o mais recente filme do Almodóvar, nnao tem como falar mal do diretor que inventou um cinema tão íntimo e pessoal ao mesmo tempo que tão universal.
E infelizmente esse é o problema do cinema recente do espanhol, ser muito íntimo e muito pessoal. Tanto que ele deu uma declaração dizendo que este drama, que ele tenta transformar em uma tragicomédia por vezes, será seu último filme pessoal, ou como ele chama, será sua última “autoficção”.
E o que me irritou neste filme foi exatamente as explicações que Almodóvar, na pele do diretor e roteirista Raúl (vivido pelo lindo argentino Leonardo Sbaraglia), fica dando pelo filme para justificar seu modo de trabalho, de como ele usa as histórias que ouve ao seu redor para transformá-las em dramas de seus personagens.
Em 1992 eu entrevistei Almodóvar em sua produtora em Madrid, a El Deseo, e ele me mostrou um de muitos caderninhos que ele produzia com recortes de jornais e revistas de histórias que ele achava interessantes o suficiente para talvez serem transformadas em partes de roteiros de seus filme.



E é exatamente isso que Raúl faz, aos olhos do espectador, transformar as histórias de seu namorado Santi (Quim Gutierrez) e de sua assistente Mónica (Aitana Sánchez-Gijón) na história de Elsa, que será a protagonista de seu novo filme.
Elsa (vivida brilhantemente por Bárbara Lennie) é uma cineasta “cult”, que sobrevive muito bem fazendo publicidade já que seus filmes não fizeram sucesso comercial. Ela tem um namorado bombeiro/stripper, uma amiga que sofre com o marido abusador, que não aparece no filme e também tem uma amiga atriz que acabou de perder o filho e sofre muito por isso.
A história de Elsa acontece no universo típico almodovariano, de cenários chapados coloridos, de roupas coloridas que se complementam e de personagens que sofrem mais do que precisam no maior melodrama possível.
A partir de um momento a gente “entende” o quanto essa história é baseada no universo real de Raúl e aí o filme fica desinteressante.
Pra mim.
Eu não quero saber o quanto a vida do Almodóvar implica em seus filmes e personagens se pra isso ele precisar explicar como explicou aqui. Chato.
O personagem de Raúl é chato, suas explicações são ególatras e esperadas em discursos nada interessantes, em diálogos tão óbvios que me fizeram até me desanimar com o próprio Almodóvar, se o que ele diz através de Raúl for mesmo “verdade”.
NOTA: 
1/2
