Por pior que fosse o thriller Someone’s Daughter, que estreou esse final de semana no Fantasia Festival, a sequência inicial do filme tem uma das cenas (e ideias) mais legais que vi no ano.
O filme começa com uma mulher sendo sequestrada por um homem. Ela dentro de um carro, ele dirigindo pelo meio do nada canadnse, ela sem saber o que está acontecendo até que o reconhece como o pai de uma jovem que foi condenada por sua causa, segundo o pai.
Depois de dirigir um monte ele a coloca em um botezinho e juntos atravessam um daqueles rios lindos de novo no meio do nada canadense até que chegam em uma praiazinha com uma casinha detonada e abandonada que ele deixa a mulher.
Ele volta ao bote, para a uma distância razoável da praia, dá uns tiros de espingarda no chão do barquinho e depois explode sua cabeça.
A mulher leva o maior susto e pensa: me fudi.
Só esse início já me ganhou. E o melhor, o filme é bom, é um thriller que não tem plot twist, não tem virada espertona de roteiro, numa época que todo thriller precisa ter alguma sacadinha, alguma pegadinha pra agradar o público e criar conversa.
A mulher abandonada no meio do nada entra na cabana e encontra um homem preso, vendado e amordaçado com quem ela vai passar os próximos dias tentando voltar à civilização.
Mas o melhor do roteiro, que ao nos fazer pensar que este é um filme de aventura, de sobrevivência, na verdade é um drama de descobertas e revelações de histórias paralelas vividas pelos 2 personagens.
Além deles precisarem sobreviver ao meio do nada, como eu gosto de chamar, eles precisam sobreviver às lembranças um do outro.
NOTA: 

1/2
