Muito a dizer sobre A Morte do Demônio: Em Chamas, o sexto filme da franquia de horror Evil Dead, do grande Sam Raimi, que hoje em dia funciona como produtor dos filmes.
Pra começo de conversa achei o filme extremamente desconfortável, em um nível que o extremo das cenas acaba tirando a atenção da história que no final das contas, é um fiozinho. E eu amo o horror extremo, mas aqui foi punk.
Pra quem não se lembra, os filmes Evil Dead, A Morte do Demônio, acontecem quando o Livro dos Mortos, o Necronomicon, é aberto por algum desavisado que lê umas palavras chave e liberta os piores demônios possíveis que vão atrás do povo que está por perto para matar todo mundo, até que encontrem de volta o livro.
Aqui a história se passa na casa dos sogros da francesa Alice. Ao morrer seu marido americano em um acidente de carro estúpido, depois do funeral ela vai para a casa da família do falecido e lá os demônios que saíram do livrinho fofo, estão esperando suas próximas vítimas.
Os demônios despertos não matam de vez suas vítimas, eles na verdade vão aos poucos tornando-os Deadites, uma versão dos cenobitas do Hellraiser do Clive Barker, que é a grande referência deste filme.
Só que a violência sutil e desgraçada dos cenobitas aqui dá lugar a desgraceira exacerbada e sem pudor que acaba vindo por uma estrada do mal de mão dupla: enquanto os demônios vão transformando as pessoas da família, uma a uma em deadites para trabalharem para eles, fazendo com que as pessoas não morram, não padeçam mas sejam os mais violentos possíveis, os humanos sobreviventes vão tentando de qualquer forma matar cada um deles.
E no desespero pela sobrevivência, eles vão usando tudo e qualquer coisa que encontram pela frente, fazendo com que o caos causado pelos “objetos” e “armas” usadas para matar os já mortos deadites causem cenas e situações tão absurdas que fazem deste Morte do Demônio um filme mais sobre formas de matar um morto e destroçar suas sobras do que sobre qualquer possibilidade de historinha que reste no roteiro.
É ruim isso? Por um lado não, se você é daqueles fãs de horror que procuram sangue, vísceras, podreira, desgraceira e demônio incorporada de olho brilhando e voz grave.
Mas se você espera pelo menos um pouco de desenvolvimento da história, do quanto esse filme se conecta com os outros todos do universo criado por Sam Raimi, a decepção é grande.
Ninguém importa no filme, todas as personagens estão lá só pelas mortes e isso diz muito sobre o diretor francês Sébastien Vaniček que veio com os 2 pés no nosso peito e não está nem aí pra mais nada além do espetáculo do caos extremo. É tipo filme pornô, não interessa a história, só interessa a ação. Só que aqui o pornô é mais profundo, se é que você me entende.
E não se esqueça, que tudo isso abençoado pelo dono da história, o que diz que Sam Raimi tá aberto a todas as possibilidades que vierem pela frente, inclusive a de não ter história que importe além da carnificina toda.
NOTA: 

1/2
