Mark Jenkin, o diretor inglês deste Rose of Nevada, é um cara muito do legal. Quando assisti seu filme Bait no início de 2020, publiquei minha resenha do #alertafilmão, ele leu não sei como e começamos a trocar mensagens no twitter, onde falamos eventualmente até hoje. Era fã, fiquei mais impressionado ainda.
E se você não viu Bait/Isca, procure e veja, uma obra de arte linda, filmada em 16mm, sobre a gentrificação de uma vila de pescadores no interior da Inglaterra.
Rose of Nevada é o terceiro filme de sua trilogia dos pescadores, como estão chamando, junto de Bait e Enys Men.
O que primeiro me impressinou em Rose of Nevada foi que enquanto diretores normalmente ousam esteticamente em seus primeiros filmes e quando conseguem dinheiro e prestígio, deixam a ousadia de lado, Jenkin dobre a posta.
Rose of Nevada também é um filme sobre uma vila de pescadores e o título é o nome de um barco que sumiu no mar, 30 anos antes da história.
Do nada, Rose of Nevada reaparece na cidadezinha e 2 homens, Nick (George MacKay) e Liam (Callum Turner, também conhecido como Duo Lipo, marido da cantora que a gente tanto ama), conseguem trabalho de pescadores e saem para o mar no navio fantasma, que não é, mas é o único barcom que volta ao porto cheio de peixes, como acontecia 30 anos atrás, quando o mar ainda era lotado de vida e não mais o lugar ermo que é hoje em dia.
O pequeno problema é que quando Rose of Nevada volta ao porto da vila, o tempo voltou 30 anos.
Foi como se a vida do barco tivesse continuado 30 anos antes. E Mick e Liam são recebidos 30 anos antes como outras pessoas. E se perdem.
Eles não sabem o que aconteceu, como aconteceu e ficam perdidos sobre como lidarem com essa viagem no tempo.
Enquanto um respira fundo e entra na história de alguém que o reconhece como namorado, o outro volta a sua casa que ainda não é e que um dia será, lida com as pessoas que o tratam como o filho que se matou depois do sumiço do barco, mas que ainda não morreu, naqueles dia de 30 anos atrás onde ele vive agora.
Rose of Nevada é uma ficção científica maravilhosa, filosofia pura, com cara de filminho experimental que usa essa estética para se aprofundar em uma ideia não óbvia, muito pelo contrário, em uma ideia que até choca quem vê o filme.
Eu esperava uma coisa, ao começar o filme e logo vieram as sacudidas do roteiro que me tiraram o chão, mostrando descaradamente, o melhor sentido, que Jenkin, como sempre, manipula seu público brilhantemente, como fazem os grandes diretores de cinema.
NOTA: 


1/2
