Eu acabei de assistir este #alertafilmão dinamarquês/faroense, sim, das Ilhas Faroe, coisa mais linda no Fantasia Festival.
Hoje é sexta feira e eu só vou poder publicar esta resenha na quarta que é o dia da estreia mundial do filme.
No Rest For The Wicked é tão exclusivo que hoje, sexta, ainda não tem trailer nem poster do filme. Aguardemos.
O que importa é que No Rest For The Wicked é um drama gay de vampiros!
Drama.
Gay.
De vampiros.
Ah, gótico, todo filmado em Faroe, em uma ilha vulcânica tão desolada e remota que quando Baldur (o lindíssimo modelo e ator de Faroe EGOR VENNED), um jovem que nunca nem pensou em sair da ilha onde mora com a mãe, quando ele encontra o baleeiro Helge (o sempre ótimo PILOU ASBÆK) ele pergunta: qual foi a árvore mais alta que você já viu? E como é tocar numa árvore?
Ele pergunta com os olhos brilhante porque até então, Baldur vivia como pescador na ilha, morando com a mãe viúva, sem perspectiva além de nunca sair dessa monotonia.
Ao encontrar Helge, que bateu seu barquinho nas pedras e por acaso o salvou e o levou pra casa, Baldur não só enxerga o resto do mundo no forasteiro, mas enxerga alguma coisa que ele não conhecia.
Até que vemos a cena mais linda de primeiro beijo em um filme nos últimos anos, com os 2 homens nadando no mar gelado, se encarando, se aproximando embaixo d’água e soltando bolas de ar um no rosto do outro, numa sequência perfeitamente filmada, com a trilha incrível da dupla faroense HETTARHER.
O problema é que essa “aproximação” entre Baldur e Heger vai causar mais drama, ou tragédia, do que eles esperavam. E sua história vai respingar pela vila toda num caos inesperado.
O diretor Kasper Kalle filma No Rest For The Wicked com as mãos tão precisas e delicadas, ao mesmo tempo, como se este fosse o filme que salvaria a humanidade, ou pelo menos que restabelecesse o amor em quem o assistir.
Com uma fotografia que eu quase chamo de claro-escuro mas que no caso é mais escura (certeiramente!) que clara, para criar o universo gótico dessa história de amor cheia de símbolos tão óbvios que eles acabam parecendo mais presentinhos para o espectador do que surpresas que deveriam ser entendidas.
No Rest For The Wicked é um presente, é isso, uma jóia rara entregue em um pacote gótico-gay que eu (e certeza que nem ninguém) sabia que precisava assistir.
No Rest For The Wicked tem uma sinceridade como há tempos não via, a mesma sinceridade que eu senti em O Segredo de Brockeback Mountain, de contar uma história de amor, pra nossa sorte gay, da melhor forma possível apesar de todos os pesares que nela existem.
Eu sempre reclamo que os filmes do Fantasia Festival e de outros festivais que eu cubro demoram para serem lançados mas eu espero de verdade que este absurdo seja comprado e tenha um lançamento massivo.
Apesar de ser um filme gay, gótico, falado em faroense, escuro, estranho e lindo e perfeito por tudo isso mesmo.
Contar uma história de amor, gay, de crescimento, de descobertas, em uma ilha vulcânica, em 1862, num cenário gótico, religioso não é para muito. Viva o diretor Kasper Kalle.
NOTA: 


1/2
