Um dos maiores desafios do cinema, e quando dá certo um dos maiores trunfos, é fotografar um filme só com luz de velas.
O clássico dos clássicos Barry Lindon de Stanley Kubrick, filme de 1975, teve cenas iluminadas por velas e desafiou tudo o que a fotografia de cinema pregava até então.
Depois disso não foram muitos os filmes que alcançaram tal proeza. Até agora.
A comédia sarcástica inglesa Savage House chega a um nível de perfeição e lindeza com cenas muito bem iluminadas que me deixaram de queixo caído.
Melhor ainda porque o diretor de fotografia desta “fita” é o grande brasileiro Adriano Goldman.
Goldman não só ilumina o filme lindamente nas cenas de claro-escuro de velas em cena mas também faz várias naturezas mortas que mais parecem pinturas de metres das artes plásticas, tamanho o grau de detalhes que enxergamos em cada quadro, ops, em cada cenas, culpa de uma luz perfeita.
Pena que o filme não chega a esse nível de perfeição.
Savage House é a história de uma família, a Savage, falida, lá no século XVIII inglês, vivendo de uma fama que pouco tiveram e de vender seus pertences para comprar comida e para o pai da família, Sir Chaucey, vivido pelo maravilhoso Richard E. Grant, pagar suas dívidas de jogo e seus gastos com as prostitutas e bebedeiras desenfreadas.
Enquanto isso fica em casa Lady Savage (Claire Foy, surpreendente), a verdadeira dona do sobrenome e do dinheiro, do palácio e das obras de arte, já que Chaucey mudou de sobrenome em acordo com o pai dela ao se casar, para manter o nome da família.
Mal sabia o velho que aquele nome só vem dado vergonha.
Por um acaso do destino os Savage recebem a notícia que o Duque e a Duqesa, em viagem pelo região, pedem pousada por 1 noite e um jantar de recepção.
Os olhos do casal brilham, achando que essa visita vai colocar a família família no radar da realeza.
Para que tudo dê certo, eles precisam em 1 semana não só arrumar o palácio, dar uma garibada, para receber o casal e seu séquito para dar a entender que eles são ainda relevantes.
Mesmo que para isso eles precisem se individar, vender o pouco que lhes resta e por aí vai.
Savage House é o que eu chamo de filme que atiça e sai de cima.
É aquela história do crush que te provoca a noite inteira na festa e na hora de ir embora te dá um beijo no rosto e olhe lá.
E sabe o que é pior? Que o filme tinha tudo pra ser um primor, faltou ousadia mas deve ter sobrado um monte de produtor dizendo “não, vamos ter esse final sem graça porque já aconteceu tanta coisa que chega né”.
Mas eu gostei do filme e tenho certeza que você que lê o Já Viu? vai gostar de ver uma família falida, amoral, sem vergonha e bem “selvagem” se virando nos 30 em prol de sua salvação na corte.
NOTA: 

1/2
