Thinestra é um body horror bem desgraçadinho que mistura Jekyll e Hyde com A Substância na era dos Ozempics da vida.
O título é uma brincadeira com o nome de um remédio radical para emagrecer que enquanto você toma, sua gordura vai vai saindo pelos poros.
Perto do Natal em Los Angeles, Penny (Melissa Macedo) não para de trabalhar como “retocadora” de fotos de moda para um fotógrafo bem escrotinho (claro) que trata todo mundo mal porque é um incompetente, da maquiadora à própria modelo, passando claro por Penny que não se livra de piadas e comentários estúpidos dele em relação ao peso e aos hábitos alimentares de sua funcionária.
Sim, Penny é gorda e em um fina de dia de trabalho, ao elogiar uma modelo super magra, recebe uma resposta enviezada mas também ganha um presentinho dela: uma embalagem de um remédio emagrecedor ainda não aprovado, o tal thinestra do título, milagroso, segundo a moça que deve pesar uns 40 kg de roupa.
Depois de todo o esforço de Penny, de aulas infindas de ginástica a litros e litros de alguma mistura líquida que usa para substituir a comida sólida, ela resolve tomar o remédio e logo sente a gordura indo embora mas de uma forma horrivelmente exagerada, em uma sequência nojenta e horripilante.
O que a modelo não tinha contado é que toda essa gordura que sai dela acaba “virando” uma monstra bem voraz, violenta e mais faminta que nunca, chamada Penelope (vivida por Michelle Macedo, irmã gêmea da atriz que vive Penny).
As duas mulheres, que no final são uma só, como uma Jekyll e Hyde filmado pelo Cronenberg quando ainda não tinha dinheiro, só não assusta mais porque A Substância veio antes.
Apesar disso, Thinestra é um filme divertidíssimo, com uma direçnao de arte incrível, um roteiro inteligente e uma direção que sabe exatamente o que está fazendo.
O gore e a violência, quando chegam, roubam o filme, roubam a alma de Penny e entregam uma monstra de bandeja (podre) para o espectador que, pelo menos eu, não esparava o que aconteceria no filme.
A fome (de viver?) é “transferida” de uma personagem para a outra só que a nova versão cruel é infinitamente mais voraz que a anterior que se satisfazia com um donut escondido ou um cupcake devorado. Ao invés disso, Penelope come quem encontra pela frente, da maneira que quer, que pode, sem pudor nenhum.
Sorte a nossa.
NOTA: 

1/2
