{"id":796,"date":"2011-04-01T12:52:11","date_gmt":"2011-04-01T15:52:11","guid":{"rendered":"http:\/\/geminisufscar.wordpress.com\/?p=796"},"modified":"2011-04-01T12:52:11","modified_gmt":"2011-04-01T15:52:11","slug":"novos-formatos-de-ficcao-seriada-televisiva-para-multiplataformas-comentarios-da-aula-de-3003","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/geminisufscar.com.br\/grupo\/2011\/04\/01\/novos-formatos-de-ficcao-seriada-televisiva-para-multiplataformas-comentarios-da-aula-de-3003\/","title":{"rendered":"Novos formatos de fic\u00e7\u00e3o seriada televisiva para multiplataformas &#8211; coment\u00e1rios da aula de 30\/03"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify\">A \u00faltima aula foi respons\u00e1vel pela explica\u00e7\u00e3o do conceito e exemplos de narrativas seriadas, e de como tais hist\u00f3rias est\u00e3o sendo transformadas (e transformando) o universo transmidi\u00e1tico no qual tendemos a nos inserir. A serializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um aspecto exclusivo de programas feitos para a televis\u00e3o (algumas das mais conhecidas obras da literatura universal surgiram em forma de s\u00e9rie; como por exemplo <em>Sherlock Holmes<\/em>, que em sua vers\u00e3o original foi publicada periodicamente em revistas liter\u00e1rias brit\u00e2nicas, como a <em>The Strand Magazine<\/em>). Umberto Eco deixa isso claro, em coment\u00e1rio feito no cap\u00edtulo <em>A inova\u00e7\u00e3o no seriado<\/em>, publicado no Brasil dentro do livro <em>Sobre os espelhos e outros ensaios<\/em>:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.geminis.ufscar.br\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/umberto_eco.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-799 aligncenter\" title=\"umberto_eco\" src=\"http:\/\/www.geminis.ufscar.br\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/umberto_eco.jpg?w=300\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"80\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u00c9 preciso destacar algumas diferen\u00e7as na produ\u00e7\u00e3o e no consumo das narrativas seriadas norte-americanas e as brasileiras. Apesar de termos s\u00e9ries de periodicidade semanal, e de existirem novelas di\u00e1rias nos Estados Unidos, o mais comum \u00e9 que o foco da audi\u00eancia se concentre em programas semanais nos EUA e em novelas di\u00e1rias na Am\u00e9rica do Sul. Algumas exce\u00e7\u00f5es podem ser citadas, como por exemplo o seriado <em>In Treatment<\/em>, produzido pela HBO. Por seu enredo principal ser uma simula\u00e7\u00e3o de sess\u00f5es de psican\u00e1lise, seu formato foi aproximado para que o espectador acompanhe o programa do mesmo jeito em que ocorrem as sess\u00f5es de terapia: um epis\u00f3dio por dia em que o analista recebe um determinado paciente, e no fim de semana \u00e9 a vez dele consultar sua terapeuta. Toda semana, em dias fixos, os personagens se repetem, mostrando a jornada de auto-conhecimento e a evolu\u00e7\u00e3o cl\u00ednica de cada um deles. Para entender a complexidade de uma transforma\u00e7\u00e3o t\u00e3o abstrata \u00e9 preciso que a pessoa que esteja assistindo <em>In Treatment<\/em> n\u00e3o perca nenhum cap\u00edtulo, visto que uma &#8220;sess\u00e3o&#8221; perdida dificulta a compreens\u00e3o das descobertas pessoais dos pacientes, e portanto, de suas mudan\u00e7as psicol\u00f3gicas na narrativa. Vale lembrar que a s\u00e9rie \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o norte-americana de uma produ\u00e7\u00e3o isralense, <em>Betipul<\/em>, e que tamb\u00e9m foram criadas vers\u00f5es em v\u00e1rios pa\u00edses. Seguem abaixo o programa do HBO e a adapta\u00e7\u00e3o holandesa:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">[youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=vz0QnEyiJno]\n<p style=\"text-align:justify\">[youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=r5RpwbuaEbA]\n<p style=\"text-align:justify\">A complexidade das narrativas seriadas n\u00e3o se resumem a conceitos abstratos e psicol\u00f3gicos, como o exemplo anterior. A estrutura transmidi\u00e1tica, a cria\u00e7\u00e3o de personagens complexos e de enredos simult\u00e2neos que se entrela\u00e7am aumentaram a qualidade narrativa de programas televisivos, e a capacidade de reflex\u00e3o exigida para a compreens\u00e3o dos mesmos. Um dos grandes exemplos de tais caracter\u00edsticas \u00e9 o seriado <em>Lost<\/em>. Editado de forma n\u00e3o linear, e repleto de refer\u00eancias intertextuais, fez com que os f\u00e3s, valendo-se da cultura participativa, tivessem que dedicar parte de seu tempo para o entendimento e a solu\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios da trama, por muitas vezes buscando nas obras originais citadas explica\u00e7\u00f5es para o andamento da trama.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Carlos Scolari, em uma publica\u00e7\u00e3o de 2008, faz uma an\u00e1lise quantitativa do crescimento do n\u00famero de personagens nos seriados norte-americanos, tomando como partida <em>I Love Lucy<\/em>, dos anos 50, e passando por programas como <em>E.R<\/em>. (<em>Plant\u00e3o M\u00e9dico<\/em>) e <em>Sopranos. <\/em>Se o n\u00famero de personagens \u00e9 um fator determinante na identifica\u00e7\u00e3o de uma trama complexa, Lost pode, definitivamente ser encaixado em tal categoria. Al\u00e9m de um n\u00famero grande de personagens, o seriado possui muitas conex\u00f5es entre eles, descobertas ao passar das temporadas. Tamb\u00e9m existe a presen\u00e7a de v\u00e1rios arcos dram\u00e1ticos estendidos e <em>cliffhangers &#8211; <\/em>momento de tens\u00e3o que impulsa o espectador a esperar pelo pr\u00f3ximo cap\u00edtulo da trama.\u00a0A tabela a seguir \u00e9 uma tentativa de demonstrar tamanha complexidade (vale lembrar que ela foi feita em 2006, ainda na metade do programa, e que muitos outros <em>sub-plots<\/em> se desenvolveram ap\u00f3s isso).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.qortuba.org\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/lost-chart-characters.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Lost - Complexidade\" src=\"http:\/\/www.qortuba.org\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/lost-chart-characters.png\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Al\u00e9m da complexidade de seus epis\u00f3dios, destacamos o mundo expandido de Lost atrav\u00e9s de suas extens\u00f5es transmidi\u00e1ticas: epis\u00f3dios desenvolvidos para serem assistidos em disposit\u00edvos m\u00f3veis, <em>ARGs<\/em> (<em>alternate reality games<\/em>, ou jogos de realidade aumentada), livros, o <em>game<\/em>, e os bonecos lan\u00e7ados. Se a produ\u00e7\u00e3o oficial criou v\u00e1rios produtos em uma mesma narrativa, o mesmo pode se dizer da produ\u00e7\u00e3o &#8220;paralela&#8221;, dos f\u00e3s &#8211; respons\u00e1veis, atrav\u00e9s de f\u00f3runs de discuss\u00e3o e produ\u00e7\u00f5es paralelas &#8211; <em>fan-fictions<\/em>, infogr\u00e1ficos, etc. Antes das defini\u00e7\u00f5es de converg\u00eancia e transm\u00eddia de Henry Jenkins, J. Murray, no fim dos anos 1990, j\u00e1 projetava uma integra\u00e7\u00e3o das produ\u00e7\u00f5es audiovisuais com a internet, o que chamou de formato &#8220;hiperseriado&#8221;: &#8220;f<em>ormato em que os artefatos do mundo ficcional da s\u00e9rie de televis\u00e3o come\u00e7am a migrar para o espa\u00e7o enciclop\u00e9dico da internet, onde o p\u00fablico pode desfrutar de intera\u00e7\u00e3o virtual com navega\u00e7\u00e3o<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Como curiosidade, alguns v\u00eddeos de <em>Inven\u00e7\u00e3o de Morel<\/em>, adapta\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica de um romance de Adolfo Bioy Casares, uma das grandes refer\u00eancias na cria\u00e7\u00e3o da trama de <em>Lost<\/em> &#8211; a hist\u00f3ria de uma ilha em que foram feitos experimentos radioativos &#8211; as cobaias do Dr. Morel foram mortas e transformadas em uma esp\u00e9cie de holograma real. Ao se deparar com tais imagens de pessoas que n\u00e3o existem mais fisicamente, presas a um loop temporal, o n\u00e1ufrago que encontra a ilha opta por morrer, e se transformar em um deles para &#8220;ser eterno&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">[youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Ci2D9eoNDbI]\n<p style=\"text-align:justify\">[youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Px6-WNu3xv0&amp;feature=related]\n<p style=\"text-align:justify\">Cena de Lost &#8211; refer\u00eancia expl\u00edcita \u00e0 <em>Inven\u00e7\u00e3o de Morel. <\/em>O personagem Sawyer l\u00ea o livro do escritor argentino:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">[youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=hes3bw_oe-o&amp;feature=related]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00faltima aula foi respons\u00e1vel pela explica\u00e7\u00e3o do conceito e exemplos de narrativas seriadas, e de como tais hist\u00f3rias est\u00e3o sendo transformadas (e transformando) o universo transmidi\u00e1tico no qual tendemos a nos inserir. 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