{"id":776,"date":"2011-03-28T17:26:44","date_gmt":"2011-03-28T20:26:44","guid":{"rendered":"http:\/\/geminisufscar.wordpress.com\/?p=776"},"modified":"2011-03-28T17:26:44","modified_gmt":"2011-03-28T20:26:44","slug":"novo-ecossistema-audiovisual-comentarios-da-aula-de-23032011","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/geminisufscar.com.br\/grupo\/2011\/03\/28\/novo-ecossistema-audiovisual-comentarios-da-aula-de-23032011\/","title":{"rendered":"Novo ecossistema audiovisual &#8211; coment\u00e1rios da aula de 23\/03\/2011"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify\">A \u00faltima aula tratou de abordar as diferentes correntes que utilizam ou se aproximam do conceito de ecossistema midi\u00e1tico na comunica\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, levando e discutindo distintas maneiras de pensar e nomear a &#8220;Ecologia de M\u00eddias&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Para isso, foi necess\u00e1rio primeiramente definir o termo oriundo da biologia que deu origem a esse termo. <strong>Ecologia <\/strong>foi utilizado pela primeira vez pelo bi\u00f3logo alem\u00e3o Ernst Hackel, representando a interdepend\u00eancia e solidariedade entre os vivos e o meio ambiente. Apesar de tanto quanto ecologia e meio ambiente serem conceitos abrangentes e de dif\u00edcil explana\u00e7\u00e3o, tal defini\u00e7\u00e3o passou a ser utilizada por outros campos da ci\u00eancia, para expressar situa\u00e7\u00f5es em que h\u00e1 uma massiva inter-rela\u00e7\u00e3o entre &#8220;seres&#8221; e o ambiente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Inspirados pelas teorias de McLuhan como, por exemplo, \u00a0a &#8220;Aldeia Global&#8221;, te\u00f3ricos da comunica\u00e7\u00e3o resgataram o termo da biologia e o inseriram em um novo contexto: o das m\u00eddias. \u00a0Passaram a imagin\u00e1-las como entidades que, ao serem modificadas e inseridas em um determinado ambiente, modificam-no e se modificam. Em outras palavras, o surgimento de novas m\u00eddias n\u00e3o determina que essas sejam automaticamente exclu\u00eddas, mas sim, adaptadas a um novo ambiente e atores de transforma\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio cultural vigente. \u00c9 importante destacar que este n\u00e3o \u00e9 um caminho de m\u00e3o \u00fanica: as modifica\u00e7\u00f5es da sociedade e da cultura, por sua vez, tamb\u00e9m alteram os meios de comunica\u00e7\u00e3o, gerando um sistema complexo de interdepend\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A no\u00e7\u00e3o de Ecologia de M\u00eddia \u00e9 constantemente destacada por pesquisadores como Neil Postman, mas, como visto na aula, tamb\u00e9m foi observada em textos de outros estudiosos de assuntos que permeiam a comunica\u00e7\u00e3o, como semi\u00f3tica, cibercultura e sociologia, por exemplo. Ainda que, por muitas vezes de forma n\u00e3o-expl\u00edcita, sem citar o termo ecologia, foi poss\u00edvel identificar caracter\u00edsticas comuns em diferentes abordagens; ou seja, uma gama de teorias que podem ser \u00fateis na abordagem do estudo deste tema.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Andr\u00e9 Lemos, por exemplo, cita o exemplo da ubiquidade e das redes de comunica\u00e7\u00e3o digitais e m\u00f3veis presentes em boa parte do ambiente nos quais frequentamos. &#8220;A cibercultura solta as amarras e desenvolve-se de forma onipresente, fazendo com que n\u00e3o seja mais o usu\u00e1rio que se desloque at\u00e9 a rede, mas a rede que passa a envolver os usu\u00e1rios e os objetos numa conex\u00e3o generalizada.&#8221; (LEMOS, 2004, p.2).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">As redes m\u00f3veis e os aplicativos desenvolvidos para seus sistemas operacionais s\u00e3o um claro exemplo de ecossistema midi\u00e1tico. Apps criados para utiliza\u00e7\u00e3o em tais dispositivos alteram a forma em que vivemos e percebendo o mundo. \u00c9 poss\u00edvel fazer uma alus\u00e3o \u00e0 reflex\u00e3o de Marshall McLuhan de que &#8220;os meios de comunica\u00e7\u00e3o funcionam como extens\u00f5es do corpo humano&#8221; &#8211; quem tem um smartphone ou um tablet (um n\u00famero que ainda n\u00e3o \u00e9 maioria, mas crescente) com acesso \u00e0s redes, sejam elas 3G ou Wi-Fi gr\u00e1tis, n\u00e3o exita em consultar aplica\u00e7\u00f5es que, juntamente com servi\u00e7os de geolocaliza\u00e7\u00e3o, indicam pontos comerciais, restaurantes e hospitais pr\u00f3ximos. Essa \u00e9 apenas uma das possibilidades em um ecossistema com mais de 300 mil aplica\u00e7\u00f5es (no caso do iPhone) e 20 mil (Android).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.geminis.ufscar.br\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/app_ecosystem_20101.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-779 aligncenter\" title=\"app_ecosystem_2010\" src=\"http:\/\/www.geminis.ufscar.br\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/app_ecosystem_20101.png?w=300\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Outra abordagem vista na aula que tamb\u00e9m pode ser associada \u00e0 ecologia de m\u00eddias \u00e9 a de Marie-Laure Ryan. Em <em>Defining Media From the Perspective of Narratology <\/em>ele descreve as mudan\u00e7as na fun\u00e7\u00e3o cultural do cinema, perante a chegada da inven\u00e7\u00e3o e da dissemina\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o, que n\u00e3o se d\u00e1 somente nas quest\u00f5es tecnol\u00f3gicas, mas tamb\u00e9m nas formas de uso do dispositivo &#8220;anterior&#8221;. &#8220;A fun\u00e7\u00e3o cultural do cinema mudou ap\u00f3s a inven\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o, embora a tecnologia em si n\u00e3o sofreu significativas altera\u00e7\u00f5es. Nos dias pr\u00e9-televis\u00e3o, o cinema mostrou uma variedade de recursos: notici\u00e1rios, document\u00e1rios, desenhos animados e filmes&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Se a televis\u00e3o foi um choque e promoveu mudan\u00e7as em uma m\u00eddia anterior, o cinema, pode-se dizer o mesmo entre a rela\u00e7\u00e3o do YouTube e outros sistemas de postagem e divulga\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos online com a produ\u00e7\u00e3o televisiva. A possibilidade de qualquer pessoa de se valer de dispositivos de acesso relativamente f\u00e1cil, como c\u00e2meras digitais e aparelhos celulares para a produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado audiovisual faz com que os f\u00e3s de narrativas audiovisuais (s\u00e9ries, franquias de filmes, adapta\u00e7\u00f5es) passem a contribuir criando suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias e par\u00f3dias, que, de certa forma, passam a fazer parte da constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Para tratar deste tema da cultura participativa utilizamos a abordagem de Jonathan Gray. Ele utiliza algumas defini\u00e7\u00f5es para agrupar as produ\u00e7\u00f5es de f\u00e3s e de conglomerados midi\u00e1ticos. Um deles \u00e9 o de <strong>Paratexto, <\/strong>definido por Genette como o t\u00edtulo, o subt\u00edtulo, pref\u00e1cios e posf\u00e1cios em textos. No mundo audiovisual, exemplos de paratextos s\u00e3o os teasers e os trailers.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\"><a href=\"http:\/\/www.geminis.ufscar.br\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/genette.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-781 aligncenter\" title=\"genette\" src=\"http:\/\/www.geminis.ufscar.br\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/genette.png?w=300\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"187\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Gray tamb\u00e9m fala sobre intertexto, &#8220;uma rela\u00e7\u00e3o de co-presen\u00e7a entre dois ou v\u00e1rios textos&#8221;. Exemplos dados na aula foram um <em>prequel <\/em>da s\u00e9rie 24 horas de 6 minutos (um v\u00eddeo que mostrava o que acontecia antes do in\u00edcio da s\u00e9rie) e uma graphic novel publicada, intitulada &#8216;Cold Warriors&#8217;. Por \u00faltimo vimos o que s\u00e3o os <strong>spin-offs,<\/strong> definidos por Derek Johnson como personagens e detalhes de um mundo existente expandido em outros produtos de m\u00eddia. Um exemplo \u00e9 a s\u00e9rie &#8216;<em>Joey<\/em>&#8216;, criada depois do t\u00e9rmino do seriado &#8216;<em>Friends<\/em>&#8216;. O personagem continuou o mesmo, por\u00e9m em outro produto. Na cultura participativa os spin-offs podem ser criados pelo p\u00fablico, atrav\u00e9s de v\u00eddeos de par\u00f3dias (spoofs), ou mashups: misturas e combina\u00e7\u00f5es de diferentes conte\u00fados audiovisuais.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Alguns t\u00f3picos a serem discutidos<\/strong>: o<strong>s brinquedos, como bonecos de personagens vendidos podem ser considerados c\u00e2nones em um universo? <\/strong>Fazem parte da narrativa, ao passo em que a crian\u00e7a (ou adulto) que os utiliza est\u00e1 criando hist\u00f3rias e narrativas em sua brincadeira?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Como ver o ecossistema midi\u00e1tico em ambientes que de certa forma &#8220;fecham&#8221; as possibilidades de participa\u00e7\u00e3o do consumidor\/produtor?<\/strong> Exemplo: a AppStore do iTunes, loja de venda de aplicativos para iPhone e iPad da Apple, que restringe a publica\u00e7\u00e3o dos mesmos a regras r\u00edgidas, limitando a cria\u00e7\u00e3o e a criatividade dos desenvolvedores. N\u00e3o \u00e9 de certa forma um freio mercadol\u00f3gico na evolu\u00e7\u00e3o da dissemina\u00e7\u00e3o e cultura?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Como definir a canonicidade em um ambiente em que os pr\u00f3prios produtores aceitam e elogiam material n\u00e3o-oficial? <\/strong>Exemplo abaixo: um curta-metragem elogiado por Carlton Cuse, um dos principais produtores de &#8216;<em>Lost<\/em>&#8216;, que elogiou e divulgou o material n\u00e3o-oficial em sua p\u00e1gina do Twitter.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Estamos todos criando narrativas transmidi\u00e1ticas em nossos &#8220;canais de comunica\u00e7\u00e3o&#8221; (perfis de redes sociais). H\u00e1 como escapar disso ou estamos fadados a uma cultura com a aus\u00eancia de privacidade? Como aproveitar disso para construir e disseminar informa\u00e7\u00e3o de qualidade? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>O que o Jornalismo pode fazer para se adaptar \u00e0 ecologia das m\u00eddias em que todos participam? O que devem fazer as emissoras de TV que, por muitas vezes, n\u00e3o conseguem adentrar nessa selva e usam as possibilidades das outras m\u00eddias de maneira ineficaz?<\/strong><\/p>\n[youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_1ZE5OXScTY&amp;feature=player_embedded]\n<p>Cr\u00e9dito da imagem:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/26170663@N03\/2454932991\/lightbox\/\">http:\/\/www.flickr.com\/photos\/26170663@N03\/2454932991\/lightbox\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00faltima aula tratou de abordar as diferentes correntes que utilizam ou se aproximam do conceito de ecossistema midi\u00e1tico na comunica\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, levando e discutindo distintas maneiras de pensar e nomear a &#8220;Ecologia de M\u00eddias&#8221;. Para isso, foi necess\u00e1rio primeiramente definir o termo oriundo da biologia que deu origem a esse termo. 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