{"id":241,"date":"2009-05-25T14:49:37","date_gmt":"2009-05-25T17:49:37","guid":{"rendered":"http:\/\/geminisufscar.wordpress.com\/?p=241"},"modified":"2009-05-25T14:49:37","modified_gmt":"2009-05-25T17:49:37","slug":"internet-vs-midia-tradicional-mudanca-sem-retorno","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/geminisufscar.com.br\/grupo\/2009\/05\/25\/internet-vs-midia-tradicional-mudanca-sem-retorno\/","title":{"rendered":"Internet vs. M\u00eddia tradicional: mudan\u00e7a sem retorno"},"content":{"rendered":"<pre><span style=\"color:#888888\"><strong><em>Fonte:\u00a0 Ag\u00eancia Carta Maior - Ven\u00edcio Lima\n<\/em><\/strong><\/span><\/pre>\n<p style=\"text-align:justify\">Pesquisa revela que 83% dos consumidores de m\u00eddia no Brasil produzem seu pr\u00f3prio conte\u00fado de entretenimento usando, por exemplo, programas de edi\u00e7\u00e3o de fotos, v\u00eddeos e m\u00fasicas. O p\u00fablico de faixa et\u00e1ria entre 26 e 42 anos \u00e9 o mais envolvido com atividades interativas na rede.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Duas pesquisas divulgadas recentemente mostram, de forma inequ\u00edvoca, a dimens\u00e3o das mudan\u00e7as que est\u00e3o ocorrendo no \u201cconsumo\u201d de m\u00eddia, tanto no Brasil como no mundo. Elas s\u00e3o t\u00e3o r\u00e1pidas e com implica\u00e7\u00f5es t\u00e3o profundas que, \u00e0s vezes, provocam rea\u00e7\u00f5es inconformadas de empres\u00e1rios e\/ou autoridades que revelam s\u00e9rias dificuldades para compreender ou aceitar o que de fato est\u00e1 acontecendo no setor de comunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Internet supera TV<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A primeira dessas pesquisas \u00e9 \u201cO Futuro da M\u00eddia\u201d desenvolvida pela Deloitte e pelo Harrison Group. A Deloitte \u00e9 a marca sob a qual profissionais que atuam em diferentes firmas em todo o mundo colaboram para oferecer servi\u00e7os de auditoria e consultoria. Essas firmas s\u00e3o membros da <a href=\"http:\/\/www.deloitte.com\/dtt\/section_node\/0,1042,sid%253D5497,00.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Deloitte Touche Tohmatsu, uma verein <\/a>(associa\u00e7\u00e3o) estabelecida na Su\u00ed\u00e7a. J\u00e1 o <a href=\"http:\/\/www.harrisongroupinc.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Harrison Group <\/a>\u00e9 uma consultoria independente com sede nos EUA.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A pesquisa, realizada simultaneamente nos EUA, na Alemanha, na Inglaterra, no Jap\u00e3o e no Brasil, identificou como pessoas entre 14 e 75 anos \u201cconsomem\u201d m\u00eddia hoje e o que esperam da m\u00eddia no futuro. A coleta de dados foi feita entre 17 de setembro e 20 de outubro de 2008 e a amostra foi dividida em quatro grupos de faixas et\u00e1rias: a \u201cGera\u00e7\u00e3o Y\u201d, com idade entre 14 e 25 anos; a \u201cGera\u00e7\u00e3o X\u201d, que tem entre 26 e 42 anos; a \u201cGera\u00e7\u00e3o Baby Boom\u201d, formada por pessoas entre 43 e 61 anos; e a \u201cGera\u00e7\u00e3o Madura\u201d, que compreende os consumidores entre 62 e 75 anos. No Brasil, foram ouvidas 1.022 pessoas, classificadas nas quatro faixas et\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Vale a pena transcrever o que a pr\u00f3pria Deloitte relata sobre alguns dos resultados referentes ao Brasil (<a href=\"http:\/\/www.deloitte.com\/dtt\/cda\/doc\/content\/Mundo%20Corporativo%2024%20-%20final.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">cf. Deloitte, Mundo Corporativo n. 24, abril\/junho 2009<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O levantamento mostra que o Brasil, com um mercado formado essencialmente por um p\u00fablico jovem \u00e9, dos cinco pa\u00edses participantes da pesquisa, aquele em que os consumidores gastam mais tempo por semana consumindo informa\u00e7\u00f5es ofertadas pelos mais variados meios de comunica\u00e7\u00e3o e se mostram especialmente envolvidos com atividades on-line. Os consumidores brasileiros gastam 82 horas por semana interagindo com diversos tipos de m\u00eddia, incluindo o celular. Para a grande maioria (81%), o computador superou a televis\u00e3o como fonte de entretenimento. Os videogames e os jogos de computador constituem importantes formas de divers\u00e3o para 58% dos entrevistados. (&#8230;) (grifo nosso)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Uma das principais informa\u00e7\u00f5es reveladas \u00e9 que o usu\u00e1rio quer participar, interferir. De acordo com as entrevistas realizadas com o p\u00fablico nacional, 83% dos consumidores de m\u00eddia produzem seu pr\u00f3prio conte\u00fado de entretenimento usando, por exemplo, programas de edi\u00e7\u00e3o de fotos, v\u00eddeos e m\u00fasicas. O p\u00fablico de faixa et\u00e1ria entre 26 e 42 anos \u00e9 o mais envolvido com atividades interativas na rede. Quanto mais jovem, mais propenso a produzir seu pr\u00f3prio conte\u00fado on-line.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Um dado extremamente revelador \u00e9 que assistir \u00e0 televis\u00e3o \u00e9 a fonte de entretenimento preferida pelos entrevistados de todos os pa\u00edses participantes da pesquisa, com exce\u00e7\u00e3o do Brasil. Entre n\u00f3s, a TV aparece em terceiro lugar, as revistas em s\u00e9timo, o r\u00e1dio em nono e os jornais em d\u00e9cimo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O quadro (adaptado) abaixo revela as prefer\u00eancias brasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Fontes de entretenimento favoritas &#8211; Brasil<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">1\u00ba &#8211; Assistir a filmes em casa (n\u00e3o inclui filmes na TV) &#8230;&#8230;&#8230;55 %<br \/>\n2\u00ba &#8211; Navegar na internet por interesses pessoais ou sociais..53 %<br \/>\n3\u00ba &#8211; Assistir \u00e0 televis\u00e3o &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;46 %<br \/>\n4\u00ba &#8211; Ouvir m\u00fasica (usando qualquer dispositivo) &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..36 %<br \/>\n5\u00ba &#8211; Ir ao cinema &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..30 %<br \/>\n6\u00ba &#8211; Ler livros (impressos ou on-line) &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..25 %<br \/>\n7\u00ba &#8211; Ler revistas (impressas ou on-line) &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.16 %<br \/>\n8\u00ba &#8211; Jogar videogames ou jogos de computador &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..14 %<br \/>\n9\u00ba &#8211; Ouvir r\u00e1dio &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;13 %<br \/>\n10\u00ba &#8211; Ler jornais (impressos ou on-line) &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.12 %<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Para um pa\u00eds acostumado \u2013 h\u00e1 d\u00e9cadas \u2013 \u00e0 hegemonia n\u00e3o s\u00f3 da televis\u00e3o, mas de uma \u00fanica rede de TV, esses dados n\u00e3o deixam de ser surpreendentes.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Participa\u00e7\u00e3o ativa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">J\u00e1 a vontade majorit\u00e1ria de participar e interferir na constru\u00e7\u00e3o do conte\u00fado, revelada pelos entrevistados brasileiros, acaba de vez com a id\u00e9ia do obtuso \u201cHomer Simpson\u201d (cf. L. Leal Filho, \u201cDe Bonner para Homer\u201d, Carta Capital, 7\/12\/2005) e com o mito da passividade dos nossos leitores, ouvintes e telespectadores.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Mais do que isso, os dados colidem frontalmente com as pr\u00e1ticas hist\u00f3ricas dos principais grupos de m\u00eddia brasileiros que, salvo raras exce\u00e7\u00f5es, sequer admitem a exist\u00eancia de ouvidorias ou de ombudsman em suas empresas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>A supremacia das redes sociais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A pesquisa Deloitte\/Harrison faz referencia a outra pesquisa divulgada em junho de 2008 pelo Ibope\/Net Ratings sobre o surgimento das \u201credes sociais virtuais\u201d, ou seja, os sites de relacionamento que re\u00fanem internautas com os mesmos interesses. Segundo esta pesquisa, 18,5 milh\u00f5es de pessoas haviam navegado neste tipo de site em maio de 2008. Se somados os fotologs, videologs e programas de mensagens instant\u00e2neas, o n\u00famero salta para 20,6 milh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Pois bem. No painel de abertura do 8\u00ba Tela Viva M\u00f3vel, dia 20\/5, em S\u00e3o Paulo, o gerente de conte\u00fado e aplica\u00e7\u00f5es da Oi, Gustavo Alvim, informa que as redes sociais j\u00e1 desempenham papel mais importante que o acesso a emails no cen\u00e1rio da internet mundial. Em m\u00e9dia, enquanto 65,1% dos usu\u00e1rios mundiais de internet acessam emails, 66,8% acessam redes sociais. &#8220;E o Brasil \u00e9 o <a href=\"http:\/\/www.teletime.com.br\/News.aspx?ID=131677\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">l\u00edder absoluto em redes sociais<\/a>, com 85% de seus internautas que acessam pelo menos uma rede social&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Os dados v\u00eam confirmar a aplicabilidade da hip\u00f3tese do \u201clong tail\u201d (Chris Anderson) \u00e0 \u201ccultura convergente\u201d \u2013 como faz Henry Jenkins \u2013 e, particularmente, reafirmar a tend\u00eancia j\u00e1 prevalente da contextualiza\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise e organiza\u00e7\u00e3o capilar de conte\u00fados, inclusive os jornal\u00edsticos, em sites e blogs, deixando para tr\u00e1s os velhos modelos dos jornais impressos di\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>\u201cPendurados na internet\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Diante desses dados \u2013 e das importantes transforma\u00e7\u00f5es que sinalizam \u2013 \u00e9 que se deve compreender a recente declara\u00e7\u00e3o do senhor ministro das Comunica\u00e7\u00f5es na abertura do 25\u00ba Congresso Brasileiro de Radiodifus\u00e3o, no dia 19\/5, em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Segundo relata Mariana Mazza do <a href=\"http:\/\/www.telaviva.com.br\/News.asp?ID=131117&amp;Chapeu=\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Televiva News<\/a>, depois de fazer uma vigorosa defesa da radiodifus\u00e3o e registrar o abismo entre o faturamento da radiodifus\u00e3o e das telecomunica\u00e7\u00f5es \u2013 &#8220;o setor de comunica\u00e7\u00e3o fatura R$ 110 bilh\u00f5es por ano. Desse total, somente R$ 1 bilh\u00e3o \u00e9 do r\u00e1dio e R$ 12 bilh\u00f5es das TVs. O resto voc\u00eas sabem muito bem onde est\u00e1&#8221; \u2013, o ministro sugeriu que os jovens devem usar menos a internet e assistir mais programas de TV e de r\u00e1dio. &#8220;Essa juventude tem que parar de s\u00f3 ficar pendurada na internet. Tem que assistir mais r\u00e1dio e televis\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Ao que parece o senhor ministro \u2013 e os radiodifusores que ele t\u00e3o bem representa \u2013 est\u00e3o realmente perdendo o \u201cbonde da hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:right\"><em>Ven\u00edcio Lima \u00e9 Pesquisador S\u00eanior do N\u00facleo de Estudos sobre M\u00eddia e Pol\u00edtica da Universidade de Bras\u00edlia &#8211; NEMP &#8211; UNB<\/em><\/p>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"overflow:hidden;width:1px;height:1px\">\n<dl>\n<dd>Ven\u00edcio Lima<\/dd>\n<dd>Ag\u00eancia Carta Maior<\/dd>\n<\/dl>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte:\u00a0 Ag\u00eancia Carta Maior &#8211; Ven\u00edcio Lima Pesquisa revela que 83% dos consumidores de m\u00eddia no Brasil produzem seu pr\u00f3prio conte\u00fado de entretenimento usando, por exemplo, programas de edi\u00e7\u00e3o de fotos, v\u00eddeos e m\u00fasicas. 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