O universo das startups de tecnologia frequentemente se esconde atrás de fachadas de inovação, algoritmos revolucionários e discursos sobre “mudar o mundo”. Mas em Compliance, atração do Fantastic Fest, o cineasta Kyle Mangione-Smith arranca esse verniz brilhante para expor as engrenagens cruéis da gestão de danos corporativos. O resultado é um thriller tenso, que transita do drama ético para a conspiração paranoica com muita agilidade.
A trama nos coloca na pele de Sam (Megan Wilcox), uma jovem gestora de crises na UVisit, uma empresa de tecnologia em ascensão. Sua missão é espinhosa: limpar os estilhaços de um escândalo de agressão sexual que ameaça implodir uma negociação multimilionária. Sam tenta caminhar sobre uma linha moral finíssima, buscando proteger a empresa enquanto tenta dar suporte à vítima traumatizada do crime. No entanto, o roteiro inteligentemente subverte a expectativa de um simples drama corporativo para nos empurrar para um terreno muito mais sombrio.
Aos poucos, Sam percebe que está enredada em um jogo de xadrez letal orquestrado por uma organização secreta de vastos recursos. Presa entre os fantasmas de seu próprio passado sombrio e um futuro que desmorona a cada nova revelação, ela perde o controle da narrativa. Sem saída, a protagonista é forçada a participar de uma violenta e ampla conspiração para derrubar a própria UVisit e seus investidores. É nesse ponto que Compliance acelera de vez, trocando a sala de reuniões por um jogo de sobrevivência implacável.
Mangione-Smith conduz a narrativa com uma atmosfera crescente de claustrofobia e desconfiança, muito bem sustentada pelas atuações de Wilcox. O filme tece uma crítica ácida sobre como a palavra “compliance” (conformidade) no ecossistema de investimentos raramente tem a ver com justiça ou ética, servindo apenas como um mecanismo de controle de danos para varrer crimes para debaixo do tapete.
Se tivesse um orçamento melhor, certeza que Compliance seria um dos estouros da temporada, mas o filme deixa muito a desejar esteticamente e em termos de realização cinematográfica mesmo.
NOTA: 
1/2
