O Momento é um (falso) documentário sobre os ensaios para a turnê mundial que a Charlie XCX faria/fez depois do sucesso estrondoso de seu álbum Brat.
Eu amo mockumentaries, esses falsos documentários que existem geralmente sobre artistas da música. E o que eu gosto nesses filmes é ficar tentando imaginar o que ali contado e mostrado é real. Porque alguma coisa ali sempre é real, sempre foi baseado na realidade, por mais que a história seja mudada por questões sempre legais, obviamente.
A Charlie XCX já vem flertando com o cinema há um tempinho e aqui ela mostra que é uma boa atriz fazendo o papel dela mesmo em um universo paralelo onde ela é uma Charlie XCX que não existiu, já que esse documentário é falso.
Entende?
Entende sim.
O filme acompanha a cantora de sucesso preparando a turnê, ensaiando as coreografias, experimentando figurinos, conversando com sua amiga diretora, tendo reuniões com a gravadora, indo a talk shows famosos, tudo pela promoção.
Mas ela também sai a noite, bebe, cheira, se joga, porque ela é dessas e conta direitinho isso em Brat, talvez, na minha opinião, o disco pop mais importante dos últimos bons anos.
Tem um ponto importante neste documentário que é um banco meio falido oferecer uma proposta incrível de lançar a cartão de crédito Brat, para o público de Charlie, os gays, as adolescentes, os malucões, e por aí vai.
Ah, e se a pessoa contratar um cartão de crédito automaticamente ganha um ingresso pra um dos shows da turnê de graça.
A gravadora ama a ideia, o banco ama a ideia mas Charlie acha cafona e ruim e mesmo assim assina o contrato.
Acompanhar Charlie no dia a dia do auge de sua carreira é ao mesmo tempo engraçado e desesperador porque a gente vê que ela poderia estar passando férias em Ibiza (e ela vai no filme) mas não tem tempo nem pra respirar de tanto compromisso que marcam pra fofa.
E as férias de 4 dias, que deveriam servir pra recarregar energia, acabam sendo traumáticas primeiro porque a “guru” da “limpeza espiritual”, caríssima e sem agenda, logo ao examinar Charlie diz que ela está tão carregada que não vale a pena fazer nada pra ajudar e a dispensa. Depois, saindo dessa mulher, ela encontra Kylie Jenner indo exatamente para uma sessão com a guru e a situação acaba fazendo com que Charlie quase exploda onde ela deveria relaxar.
Cômico mas desesperador, se ela já passou por alguma situação parecida, o que já deve ter acontecido, pra estar no filme.
O melhor/pior personagem de O Momento, porque o documentário falso só tem esse tipo de gente, é o diretor estrela/ego nas alturas/escroto Johannes Godwin, vivido por um Alexander Skarsgård iluminado por fagulhas do inferno de tão desgraçado que ele é.
O cara chega filmar a turnê e ele acaba tomando conta do próprio show: reescreve, dirige de sua forma, tirando toda a aura da Charlie XCX de seus shows porque o filme que ele vai fazer é uma encomenda da Prime Video e eles não querem falar de bebedeira, cocaína, peito de fora, cansaço e por aí vai.
Sabe o cara que vai limpar, sanitizar, pasteurizar o artista e que també paga de artista? É ele mesmo. Genial.
O Momento é uma profusão de situações extremas, inventadas ou não, que são na verdade uns tapas nas caras da indústria da música, do moedor de carne que é pra artista faz sucesso grande, que gira muito dinheiro e que se bobear e der uma escorregadinha, percebe que a rede de proteção de sangue sugas some antes da bunda bater no chão.
Charlie XCX, parabéns pelo seu bom humor. Arrasou muito.
NOTA: 



