Há muito tempo eu não sentia o que eu senti ao assistir esse documentário do Corey Feldman: eu não sabia se eu ria (do bizarro) ou se eu chorava (de dó).
Corey Feldman é um dos adolescentes atores prodígios famosíssimos dos anos 1980 ao lado do River Phoenix e de sua dupla dinâmica Corey Haim )lembra dos 2 am Garotos Perdidos?).
É inclusive o sobrevivente. Nos modos dele próprio, mas sobreviveu.
Neste filme Corey começa se casando com sua namorada de 4 anos, a coelhinha da Playboy, Courtney.
E com ela, vemos neste filme, Corey cria The Angels, uma banda feminina vestida de anjos (com uns trapinhos e olhe lá, obviamente) que tocavam com ele em sua turnê como cantor. (queixo caído, risadas, boca aberta, tudo vale aqui)
Na banda também está a namorada de Corey e Candy, uma doidona louca de Oxi, e mais um povo que começa bem e vai degringolando, obviamente.
Na verdade não importa muito a banda. Importou para Corey, que ensaiava com elas “exaustivamente” para quando saíssem em turnê arrasassem.
As meninas não sabiam tocar mas Corey também não sabe cantar, o que contrabalançava tudo. E ele não sabe dançar tampouco, o que era uma parte importante do show. Por isso, por exemplo, que não sabia se ria ou chorava.
Mas Corey, do alto de sua vida delirante, acreditava que eles fariam muito sucesso e encheriam estádios e arenas com seu show (de horrores). Assim, ele (e elas?) ganharia centenas de milhares de dólares. Mas a gente vê que ele no máximo tocava em bares de esporte mas muito em botecos que acahava pelo caminho, enquanto viajava com seu séquito em um ônibus de turnê bem de dar medo.
Aliás, séquito foi uma palavrafofa. O que dizem é que Corey montou um culto, daqueles do mal americanos, onde loirras iam morar em sua casa e usavam várias coisas, dormiam com várias coisas, ops, tinha uma vida sexual bem ativa e por lá ficavam em troca disso. Aliás, as mulheres que tocavam na The Angels não recebiam nada na turnê, como vemos no filme. E quando elas reclamavam, Corey dizia que elas eram satanistas e estavam lá a mando de Meilyn Manson, que queria o mal de Corey, que era bem “do bem”, bem bonzinho.
Claro que este filme está aparecendo por causa dos vídeos com Corey Feldman relacionados ao arquivos do Epstein, de como ele sempre foi bem vocal sobre os pedófilos que davam em cima dele e do Corey Haim quando eram pequenos e como Haim fala no filme, “Charlie Sheen me disse que em Hollywood tudo bem homem beijar e transar com homem”. Sheen, obviamente refuta isso mas Corey Feldman diz que ele foi molestado várias vezes por Corey Haim.
E quando vai dar entrevista na tv para falar dos poderosos que pegavam os menininhos, o entrevistador diz que já é a segunda vez que ele promete revelar nomes e até agora nada. E lembrem-se que ele sempre disse que Michael Jackson era bonzinho e mal interpretado.
A conclusão a que cheguei é que Corey apostou (por isso o documentário) que com sua turnê com as The Angels, ele seria um super sucesso, voltaria à relevância e melhor que tudo, ficaria rico de novo.
Quando tudo deu errado depois de várias tentativas horrorosas que vemos no filme, Corey resolve dar tal entrevista a Matt LAuer, o jornalista que não acredita nele e que coincidentemente ou não, dias depois foi escorraçado do canal de tv por ser indiciado por uma colega de trabalho por abulso.
O roto falando do esfarrapado.
Quando nada deu certo, Corey abre um financiamento coletivo para ele produzir um documentário sobre as histórias de pedofilia. Ah, o custo do financiamento coleitvo, o quanto ele pedia pras pessoas, era 10 milhões de dólares.
Louco né.
O Feldman desse filme parece o pior personagem que o pior diretor de cinema poderia ter escrito em tom de caricatura de um ator mirim que se acha relevante e não aceita sua insignificância.
Assistir isso e saber que tudo aquilo é real, que ele acredita nesse delírio que ele também provoca nas mulheres que acreditam nele, é a causa de não saber reagir a esse filme.
Doente? Drogado? Delirante? Desesperado com certeza.
NOTA: 

1/2
