O Som da Queda é o filme que a Alemanha enviou para uma vaga ao Oscar 2026 de Filme Internacional. Hoje saíram as indicações e o filme não foi classificado.
Já O Agente Secreto recebeu 4 indicações para Melhor Filme, Melhor Ator para o Wagner Moura, Melhor Elenco e Melhor Filme Internacional.
Mas esse é outro post.
O Som da Queda é um épico fantasmagórico de horror caipira, contado em 4 partes sobre 4 famílias que dividiram (espiritualmente) a mesma casa de fazenda no meio do nada da Alemanha do século XX.
Mas não é só isso.
O Som da Queda é na verdade um dramão, um épico até eu diria, sendo que as histórias das mulheres das 4 famílias que “dividem” a mesma casa, que seria o ponto em comum delas, na verdade tem outros pontos em comum mais profundos.
Os medos, as insinuações, os abusos, os percalços que as mulheres lá do início do século XX sofriam são praticamente os mesmos que as meninas de agora, de 100 anos depois, sentem de outras formas mais sutis, com outros nomes mas com as mesmas consequências.
A maior peculiaridade do filme é perceber que o entorno das mulheres e das meninas muda, que as roupas mudam, os objetos mudam mas as relações humanas são praticamente as mesmas, os sentimentos, o entendimento sobre a vida são praticamente os mesmos.
E a tal da sororidade, a ajuda entre as mulheres, o ninguém solta a mão de ninguém também são praticamente os mesmos, claro que guardadas as devidas proporções de “falar sobre” através dos tempos.
E mesmo assim em todas as histórias existem mulheres abusadas por homens mais velhos, outras são abusadas moralmente também por homens e outras ainda são tão sensíveis que se enxergam em outros planos que não o que elas vivem.
Uma das sequências mais icônicas de O Som da Queda é quando a família do início do século XX está se preparando para tirar uma foto com uma das mulheres que morre, a tão “usual” fotografia post-mortem nos interiores europeus, e Alma, a menina mais nova da família se enxerga na mesma situação da falecida, não entendendo se ela já morreu antes com a mesma idade que tem ou se seu fim está próximo.
O Som da Queda é uma aula de cinema de autor, de fotografia muito, mas muito bem pensada e realizada, que é quase que uma personagem própria do filme, assim como a direção de arte que não só ajuda a contar a história toda como também nos carrega pelas eras.
Apesar de tudo isso que falei de eras, de século, de 4 famílias diferentes em momentos diferentes, eu me senti em uma única história, como se todo mundo estivesse junto ao mesmo tempo, o que é um paradoxo já que eu digo que tudo é contado com especificidades lindas e incríveis mas como as ações e as consequências das mulheres são quase as mesmas nesses 100 anos, o sentimento é de coesão, de unificação de vidas, de unicidade, de unidade.
O que me deixou pensando muito foi que depois de assistir O Som da Queda eu descobri que o título original do filme, em alemão é “Olhando Para o Sol”, o que pode ser ruim para a vista ao mesmo tempo que pode dar um “barato” meio psicodélico, que na verdade é o que eu senti desta obra prima, um épico de horror caipira dramático bem psicodélico, onde os fantasmas do passado estão incrustrados no delírio, no presente e no futuro das mulheres que dividem aquela mesma casa. E assim continuará sendo.
NOTA: 




