Filme bem bonito este escocês A Colheita.
Mas faltou alguma coisa, faltou uma virada, um disco voador chegando, uma bomba atômica zumbi, um cavalo de madeira de druidas aparecendo do solo.
O filme se passa em algum lugar da Escócia, em um tempo que a getne não sabe quando, em uma vila bem pequena, de 50 pessoas, que é comandada por um cara meio mauricinho demais.
O filme se passa em 7 dias à época do fim da colheita onde elegem a rainha dos restos da colheita, ou algo assim, uma das jovens da vila que representa o sucesso da colheita e que “abençoa” os restos que vão para os aldeões, depois para os porcos, depois para os… numa ordem bem particular, numa festa bem legal, de celebração de vida, onde todo mundo bebe e come e se beija e se veste bem cheios de flores e de pólem usado como maquiagem, coisa linda de se ver.
A vila tem uns personagens bem legais, bem construídos e o mais legal do filme é a direção de arte meio que inovadora pelo uso de cores em um filme escocês caipira, onde geralmente as roupas das pessoas são “sem cor”, monocromáticas e sem graça. Aqui tem muito vermelho, muito amarelo, o que me impressionou bem.
Outro ponto legal é que o filme é meio filmado em 16mm, dando uma textura bem impressionante a algumas sequências específicas, o que faz toda diferença.
Mas essa ousadia estética da diretora Athina Rachel Tsangari faltou no roteiro exatamente pelo que falei de não ter um ápice.
Quer dizer, até tem, quando na vila chega o real dono do lugar, primo do mauricinho que chega para avisar que aquilo lá vai ser transformado em pasto, que ele não quer mais árvore para fazer sombra, numa boa alusão ao desenvolvimento desenfreado dos dias de hoje, já que seu discurso é bem de “danem-se as 50 pessoas, eu sou dono agora e eu resolvo como vai ser daqui pra frente”.
O filme está no Mubi e se você como eu gosta de um caipira britânico, vai curir bem esta Colheita.
NOTA: 

1/2
