Claro que nesta pequena pérola irlandesa, o close dos pés da enforcada pingando excrementos é só uma confirmação da morte e logo esquecida neste folk horror, apesar da personagem ser a principal causadora do que assistimos.
Frewaka é sobre Soo, uma enfermeira de cuidados especiais, que vai vier por um tempo com uma paciente nova, uma senhora com traços de demência, que não pode mais ficar sozinha e que exige uma cuidadora que fale irlandês.
E lá vai Shoo, que deixa para trás, por um tempo, sua namorada grávida, foca no seu próprio tratamento psicológico, depois de vários traumas, inclusive um com sua mãe.
Claro que Peig, a paciente, demora para aceitar Shoo e demora mais ainda para gostar um pouco dela e para começar a contar suas próprias histórias, quando mostra que a tal da demência, seus medos e suas paranóias são na verdade certezas sobrenaturais, para não dar spoiler nenhum.
A diretora Aislinn Clarke mostra aqui que ela sabe muito bem como lidar com os signos todos de um filme de horror caipira mas sabe principalmente como lidar com personagens “à beira de um ataque de nervos”, pra ser bem sutil, porque o que acontece ali mesmo é as mulheres estarem a um passo do desespero total e absoluto.
Nós assistimos de camarote sequências de dar frio na barriga, de dar dó, de dar raiva e principalmente de não saber pra quem torcer, se é que dá pra torcer pra alguém nesse redemoinho desesperador e por vezes bem desgraçado numa cidadezinha do tamanho de um ovo no interior inglês que parece que tem mais gente “do além”, encapuzados, estranhos, do que gente de verdade morando por lá.
NOTA: 



