Felizmente (ou infelizmente, não sei ainda) o cinema não é uma ciência exata.
Se fosse, o Coppola continuaria só fazendo filmes maravilhosos, depois de nos entregar no início da carreira O Poderoso Chefão 1 e 2 e o Apocalipse Now.
E depois entrar numa espiral descendente infinita e fazer um filme pior que o outro até hoje.
Se fosse, o espanhol Alejandro Amenábar, diretor de alguns filmes icônicos como Tesis e Os Outros, não teria cometido esse O Cativo.
Não por menos, o filme foi lançado na Netflix, não sei se foi coinicidência.
O cativo do título é o maior espanhol de todos (será?) Miguel de Cervantes (Julio Peña), que ficou preso, cativo, por 5 anos na Argélia quando o navio que ele estava voltando para a Espanha depois de um pequeno incidente absurdo internacional.
À época, os paxás argelinos capturava esses navios e só devolviam as pessoas quando a coroa espanhola mandava muito dinheiro, muito ouro, em troca daquelas pessoas.
E essas trocas aconteciam 1 vez por ano quando padres chegavam no “covil dos leões muçulmanos” com sacos de dinheiro cheioss e voltavam com alguns prisioneiros que o paxá deixava, concordava com a troca. Ou a liberação.
Cervantes sempre foi um prisioneiro caro porque ele chegou com uma carta da corte espanhola com a qual ele tentou ser liberto logo de cara dizendo ser uma pessoa importante.
Não adiantou.
O que adiantou é que esses anos passados no “exílio” forçado, Cervantes descobriu 2 coisas.
A primeiro foi sua vocação para a escrita, já que ajudava um padre lá preso que era a “biblioteca” e o escritor do lugar.
Essa vocação para a escrita logo o levou a ser o contador de histórias que divertia e distraía os prisioneiros, com um tipo de contação que lembra muito a das Mil e Uma Noites, ou de uma série atual, onde ele interrompia diariamente no auge do episódio, do capítulo para voltar no outro dia.
Essas histórias atravessaram os muros daquela prisão, que na verdade era o pátio do palácio do paxá e chegou aos ouvidos do todo poderoso, que chamou Cervantes para uma conversa.
O paxá era um lindo (Alessandro Borghi), poderoso, culto, falava várias línguas e tinha uma peculiaridade: gostava de meninos.
Aí Cervantes não descobriu mas confirmou que ele também gostava de homens e a aproximação que o paxá exigiu de Cervantes por causa das histórias, de como ele as criava, de como ele as contava levou o futuro escritor a poder viver sua vida como não pôde antes.
E ali a gente descobre o que é a carta que ele levava consigo assinada pela coroa espanhola.
Neste Cativo faltou intensidade, faltou sexo, faltou beijo na boca, faltou tesão de cinema, faltou cinema.
Tudo isso daria um filme ótimo, certo?
Errado.
Pelo menos neste caso.
É complicado a getne elogiar mais o filme pela direção de arte do que pelo roteiro ou pela direção, o que é este caso.
O Cativo tem tantos problemas de roteiro que por vários momentos parece que a gente está assistindo uma obra não acabada, que ainda vai ser melhor editada e então, daqui um tempo, depois de muita gente dar palpite, lançada.
O que deve ter acontecido exatamente assim.
Este filme deve ter passado por tanto executivo dando palpite que o diretor Amenábar deve ter desistido de manter a sua visão da história.
Não que necessariamente ele tivesse esse poder porque quando qualquer pessoa faz filme grande, com muito dinheiro e muito estúdio por trás, o diretor serve pra filmar e colocar em filme um roteiro que foi escrito por 500 mãos já.
E aqui faltou a voz de um diretor, de um roteirista, e sobraram vozaes dos executivos que não entendem de cinema e “entendem” de bilheteria, de público e de renda.
E esse é o cinemão de sempre que a gente sabe que não tem futuro.
NOTA: 


