O espanhol Albert Serra talvez seja o diretor de cinema em atividade pelo mundo que eu menos gosto, pra não dizer o que eu mais odeio.
Odiar é um sentimento forte demais pra esse cara que faz filmes muito ruins, muito pretensiosos, a cara de festivais metidos, que gostam desse tipo de cinematografia estranha e ruim e ficam tentando convencer a população da Terra que tal diretor é um gênio do cinema.
Esse é o caso do Albert Serra. Que eu odeio. Quase.
E o pior é que eu sou tão idiota que assisto todos os filmes dele, tentando entender de onde ou porque saem todos esses elogios.
Idiota que sou assiti, ou tentei assistir seu mais novo impropério, este Tardes de Solidão.
Achei que finalmente o cara me ganharia mas me perdeu de vez.
O filme é um documentário sobre o toureiro peruano Andrés Roca Rey, o que eu achei interessante porque Serra poderia fazer um filme meio true crime, uma investigação sobre as razões que fazem primeiro as touradas ainda existirem no peru e depois sobre as razões que fazem um toureiro ainda existir em 2025.
Tolo eu.
Idiota eu, na verdade.
Tardes de Solidão é sim um documentário sobre o toureiro peruano Andrés Roca Rey mas sem nenhuma entrevista com o cara, nada sobre sua vida, nada sobre seu passado. Nada. Na. Da.
O filme acompanha Rey em seu “trabalho” de toureiro.
Vemos Rey se vestir, se despir e principalmente vemos Rey em ação na praça de touros maltratando e matando touros em close up.
Muito filho da puta esse Serra.
Eu sempre achei que o espanhol fazia seus filmes para incomodar as pessoas, fazia umas porcarias para todo mundo chegar ao final da sessão e pensar “que filho da mãe esse cara, faz quase 2 horas que eu tô sofrendo assistindo essa porcaria aqui pra nada.”
Punk. Transgressor. Eu pensava que Albert Serra fosse um sacana.
Mas não, ele é um safado.
Ele mostrar, em 2025, um touro morrer em plena praça de touros, mostrar um touro sendo torturado bem lentamente, sangrando a nossos olhos e finalmente morrendo, é a pior atrocidade que eu já vi no cinema.
Existem filmes cruéis, como Saló ou Os 120 Dias de Sodoma, do Pasolini, por exemplo, um filme cruel, violento, mas uma ficção. Nada lá é real. Tudo é ensaiado, coreografado, mas filmado de uma forma que parece ser reeal, parece ser um documentário muito bem feito.
Aqui não.
Aqui é um documentário bem feito, bem filmado, sobre uma situação real, cruel, desgraçada.
Pra que fazer um documentário sobre tourada? Sobre um toureiro?
Porque Tardes de Solidão não é um documentário sobre o tal do toureiro Rey, de quem a gente só vê suas roupas sujas de sangue e ele rezando antges de cada tourada, mas sim um documentário sobre como matar touros em uma praça com plateia.
O pouco que vi do filme eu obviamente torci para os touros e o que me deixou mais chocado com a cara de pau do diretor é que o filme começa com o toureiro chegando em um quarto de hotel tirando seu figurino de trabalho, uma roupa branca cheia de sangue.
Mesmo com essa “dica” dada logo de cara, eu não achei que veria o que vi.
Não recomendo, não me conformo e torço pra que ninguém sofra como eu sofri assistindo esse horror.
NOTA: 0
