Pra começar do começo: eu adorei A Centésima Noite. Mesmo. É o tipo de filme que me ganha nos primeiros momentos e eu vou explicar o porquê.
Mas, e sempre tem um ou outro mas, a diretora Julia Jackman em sua estreia nos filmões, deu umas escorregadas no roteiro.
Como o filme é baseado em uma graphic novel homônima, não sei ainda se “a culpa” é dos quadrinhos ou do roteiro.
Como aqui eu escrevo sobre filmes, pra mim a culpa é do filme e da Julia Jackman e seu roteiro porque ela caiu na armadilha dos nossos tempos de enfiar nas histórias contadas um discursinho feministamente modernete em uma história contada há séculos que já é um dos pilares do feminismo, As Mil e Uma Noites.
Se você ainda não tinha percebido pelo título, as 100 noites foram as que couberam no filme (brincadeira) baseadas na Sherazade e sua competência incrível de ser tão chata que fazia seu algoz dormir enquanto ela contava as histórias à noite o que fez com que ela sobrevivesse.
Aqui Cherry (Maika Monroe) não precisa sobreviver contgando histórias por 100 noites. Ela é casada com um nobre gay (Amir El-Masry) que nunca a tocou desde que se casarem e a família do marido os cobra por netos, tanto que dá um ultimato a Cherry, que se em alguns meses ela não engravidar, ela será morta.
O que faz o marido gay? Ao invés de respirar fundo e transar com a fofa, ele sai para viajar com seus “amigos lindos”, como dizem no filme, enquanto faz uma aposta com um amigo hétero (Nicholas Galitzine) que pede para ficar em seu castelo depois de ser chutado pela ex-mulher: se enquanto o príncipe estiver fora o amigo bonitão conseguir seduzir a linda e virginal e subindo pelas paredes Cherry, se conseguir transar com ela, o príncipe dá pro amigo (ops) seu castelo e sua mulher, se não matéa-la antes por sua honra.
Isto tudo, esqueci de dizer, em um tempo onde castelos e nobres e príncipes existiam e lendas eram escritas em tecidos, porque mulheres não podiam ler nem escrever e seus conhecimentos, suas histórias, eram passadas para frente oralmente ou das formas mais criativas que elas conseguissem criar.
Para sorte de Cherry, sua empregada, ou seu braço direito, ou sua ama, é Hero (Emma Corrin), a mulher que conhece as histórias e as conta todas as noites para que o tal amigo bonitão durma e pare de se jogar e de provocar a excitada da Cherry.
Tudo isso contado da forma mais legal possível pelo roteiro bem escritinho e por uma direção precisa da diretora Julia, que sabe quem são suas personagens e sabe muito bem o que fazer com cada uma delas em cenários opulentes, muito bem desenhados e produzidos, que servem muito à história que nos é mostrada.
Nada no filme é por acaso mas algumas coisas do filme não ganharam o valor e a importância que mereciam, principalmente as “explicações” sobre a personagem Hero e sobre o porque ela é a contadora de histórias que é.
A Centésima Noite seria melhor se fosse uma série? Seria, já que as possibilidades narrativas são grandes demais para as 2 horas de filme.
Para nossa sorte A Centésima Noite é um filme bacana, fofo demais e político de menos, já que o político do filme fica meio “escondido” (de propósito?). Mas quando desabrocha, a diretora nos entrega cenas ótimas, fortes e poderosas.
Eu só queria uma versão da diretora desse filme, com mais 1 hora de duração, para vermos tudo o que ela (provavelmente) filmou e que teve que tirar da versão final.
Mas na verdade eu torço para o próximo filme dela estrear logo.
Ah, antes que me esqueça, A Centésima Noite tem no elenco a pop star Charli XCX, fazendo bem o papel de uma personagem de uma das histórias contadas pela Hero.
NOTA: 



