Na década de 1990 um dos nomes mais importantes do indie americano era o do novaiorquino Edward Burns.
O diretor, produtor e ator fazia uma espécie de cinema que bebia muito na fonte do Woody Allen, só que se passava no Brooklin antes de ser hype e geralmente sobre uma família de católicos irlandeses, diferente dos judeus do Woody.
E também não tão neuróticos, nem tão acelerados.
Burns era mais sossegado, menos ousado mas mesmo assim conseguiu criar uma cinematografia tão única que uma hora Hollywood o levou pra Los Angeles e a carreira dele foi por água abaixo.
Agora, 30 anos depois, Burns volta para trás e para a frente das câmeras e lança A Família McMullen, continnuação de seu grande sucesso Os Irmãos McMullen de 1995.
Neste filme, em cartaz na HBO, 2 irmãos e a cunhada, vividos pelos “originais” Edward Burns, Mike McGlone e Connie Britton agora lidam com filhos grandes, divórcios, casas compartilhadas, problemas católicos (meio forçados pra 2025) e aquele problema de sempre, o amor.
Foi interessante ver o quanto o cinema de Burns ficou datado, como ele não se preocupou em ser coerente ao século XXI, ou pelo menos relevante.
A história da família Mc Mullen é bonitinho com o pai meio moderninho e garanhão, o tio triste e divorciado, a tia bem sexualizada sem papas na língua e os filhos perdidos no meio disso tudo, tentando navegar nesse mar pelo menos engraçado e se perdendo em quem ouvir, em quem seguir conselhos.
Lá nos 1990’s Ed Burns era meu ídolo, junto com o Hal Hartley e o Steven Sondebergh.
Dos 3 só o Sonderbergh continua relevante, fazendo mais filmes do que a gente queira assistir, conhecido como o rei do filme de orçamento mediano, o que seria o sonho de Hollywood, se não fosse o fracasso quase absoluto de seus filmes. Eu digo que de cada 7 filmes que ele faz, 1 é bom.
Hal Hartley sumiu, depois de nos entregar filmes mais filosóficos e cool dos 3, filmes como Simple Men e Amateur.
Espero que ele se anime com esse lançamento do Ed Burns e volte com alguma pérola para matar nossa saudade.
NOTA: 


