Perrengue Fashion é a prova vive de que uma direção insípida, inodora e incompetente estraga qualquer roteiro.
E o pior: o roteiro desta comédia em cartaz na Prime Video é bem bom.
Perrengue Fashion é sobre Paula Pratta (a Ingrid Guimarães de sempre), uma influenciadora de moda “popular”, que trabalha desde pequena para chegar onde chegou no mundo da moda, sua grande paixão.
Ela é convidada para fazer uma campanha de dia das mães para uma das marcas mais importantes do mundo da moda, só que com a condição de seu filho (Filipe Bragança) estar presente no dia das fotos.
Seu filho mora nos EUA onde faz faculdade e nunca quis se envolver no mundo da moda que sua mãe vive. Ela resolve conversar ao vivo com o filho e descobre que ele está na Amazônia brasileira. Lá ela também descobre pelo próprio filho que ele largou a escolha de “business” para viver em uma comunidade auto sustentável no meio da floresta, o extremo oposto da vida que a mãe leva e que a mãe queria para seu filhinho do coração.
Perrengue Fashion é sobre esses extremos, da mãe fashionista que tem mais bolsas que amigos, que não repete roupa, que tem o melhor assistente gay possível (a grande surpresa que é Rafa Chalub, o “esse menino”).
O legal do roteiro é fazer piada atrás de piada sobre esse tema sério e importante, sem julgar nem um lado nem outro. A getne que gosta de comédia sabe o quanto é difícil hoje em dia ter um filme cheio de piadas boas e o roteiro acaba sendo o ponto alto deste Perrengue Fashion, junto do elenco que é muito bem escolhido.
Mas o filme não é bom.
A direção do filme é tão preguiçosa, tão esquemática que parece que a equipe mal prestava atenção às cenas, fora do planejado, já que a quantidade de oportunidades perdidas em cenas e sequências chave do filme é tão grande e tão óbvia que eu juro que não consigo aceitar que não existiram reuniões de produção suficiente ou mesmo que ninguém ali durante as filmagens falasse “olha isso aqui, e se a gente fizesse uma opção, já que o planejado foi feito”. Mas ficaram com o planejado e o tal do planejado era ruim, sem graça, normal.
Eu costuma chamar esse tipo de filmagem de “decupagem de excel”, onde a criatividade fica pra trás e a planilha toma conta do filme.
Uma pena. Mas torço pro sucesso de público porque, de novo, a comédia é bem boa.
NOTA: 

1/2
