Quando eu poderia imaginar em 1000 vidas se as vivesse que eu não gostaria de um segundo filme do mestre dos mestres Paul Thomas Anderson na sequência.
Depois do mega fracasso auto exuberante Licorice Pizza, um filme lançado em meio a outros filmes tão ruins quanto baseados em histórias de adolescência de seus diretores, Anderson agora lança um filme super noiado e mais ainda cheio de teorias da conspiração em meio a outros filmes noiados e cheios de teorias da conspiração, como Edginton e Bugonia.
Uma Batalha Após a Outra é o segundo filme de Anderson baseado em Thomas Pynchon e tudo o que funcionou em The Master, esta versão de Vineland parece mais um apanhado de cenas de um épico sem alma e sem graça.
Quando Paul Thomas Anderson coloca um Leonardo Di Caprio no poster do filme maior que todo o resto do elenco junto, quando paga 20 milhões de cachê pro astro eu esperava no mínimo que Leo desse o seu melhor e que o seu revolucionário Bob Fergusson/Ghetto Pat fosse um personagem que estaria ao lado do Jack do Titanic. Mas não.
O filme sobre a revolução, o underground, as teorias da conspiração da extrema direita, sobre terroristas da extrema esquerda, sobre bombas, senhas, contra senhas, é na verdade um filme sobre paternidade: quem é o pai da jovem filha da maior terrorista da história, Perfidia Beverly Hills (a maior de todas musa das musas Teyana Taylor) que se vendeu e dedurou seus companheiros de causa?
O extremista de esquerda maconheiro noiado mas que super protege a filha, num papel que dizem “humanizar” Di Caprio (eu não sei onde isso acontece) ao colocá-lo mal vestido vivendo numa casinha lixo no meio do nada escondido de tudo e de todos esperando a polícia bater à sua porta mas que cuida da filha com mão de ferro sabendo do que pode vir por ali.
Ou será que o pai é o neo nazi obviamente militar (Sean Penn em seu melhor papel em anos e já minha aposta para o Oscar 2026), que se apaixona perdidamente pela terrorista negra a nível de oferecer que ela entre no programa de proteção de vítimas depois de presa, o pai da criança, com um orgulho bem enviezado.
Willa (Chase Infiniti que só não rouba o filme porque Sean Penn está maior que tudo e todos aqui) agora adolescente, 16 anos depois que sua mãe sumiu e que ela mesma sumiu com o pai, é bem educada/treinada pelo maconheiro sem graça e se tornou uma mulher forte, inteligente e só não mais esperta porque ainda é uma adolescente que vai ao baile da escola mesmo com os amigos mais punks e estranhos de todos.
A Willa do filme é o futuro que Anderson coloca em jogo para tentar entender quem é o pai, se o idealista perdido em devaneios e paranóias persecutórias, ultrapassado com sua maconha e sua roupa suja ou o fascista violento, sarado, com cabelinho de Hitler loiro e braços de monstro de história de super herói, que inventa o que preciso for para encontrar a filha perdida e ter certeza que ele é o pai e o superior, que nem a pior/melhor das terroristas resistiu aos seus “encantos” de macho alfa nazi fascista endeusadamente tipificado.
Uma Batalha Após a Outra é o título perfeito para um filme que não para, um thriller que poderia ser o melhor de todos, de novo eu repito, se o personagem principal não fosse um boçal chato e perdido no tempo.
E daí eu pergunto: será que essa é a conclusão que PTA nos joga na cara sobre a extrema esquerda dos dias de hoje, um maconheiro véio bêbado noiado? Enquanto a extrema direita é um arremedo de deus grego que parece ter um cabo de vassoura enfiado no rabo e também noiado?
A nóia venceu, ao que parece, de um lado e de outro. E aqui a noia é engraçadona. O que acabou com a vibe toda do filme pra mim.
E enquanto um lado vive de senhas e contra senhas ainda e sempre no underground, o outro vive de desconfianças e incertezas nos prédios altos e nos corredores escondidos embaixo de casas centenárias de famílias brancas odiosas escavocratas.
Apesar desses todos “apesares”, preciso dizer que Uma Batalha Após a Outra tem talvez a melhor sequência do ano: o militar do Sean Penn finalmente reencontra sua filha em uma sala enorme e linda de um convento de feiras revolucionárias plantadoras de… maconha, claro. Willa com as mãos presas atrás do corpo, passa por um pequeno ritual onde o coronel realiza um teste de DNA e diz à menina basicamente que se der positiva, ela está morta.
A tensão da sequência, pelo embate da adolescente perfeitamente insolente em sua violência irônica contra o militar bombado, com os braços estourando em suas veias saltadas (ela pergunta: por que você usa essa camiseta tão coladinha, o que causa muito ódio nele ao dizer que não é homosexual) e seus olhos esbugalhados de terror do que está por vir, explode nos nossos olhos do que Sean Penn é possível e se ele foi indicado ao Oscar, duvido que não escolham essa sequiencia para mostrarem no telão da premiação.
Ali não existe pai nem filha, a tensão em saber o ressultado só existe para as personagens porque o espectador já sabe o que vai aparecer “nas barrinhas” da telinha, ali existem 2 animais dentro de um circus maximus de parede caiada, com um altar em desuso que serve de testemunha do embate, mais um, épico entre os personagens principais do filme.
E adivinha quem não está ali?
Leonardo Di Caprio. E aqui repito minha insatisfação ou minha decepção ou minha teoria de que no final das contas o papel do ex guerrilheiro maconheiro não faz falta nenhuma no filme.
E me desculpem por insistir no maconheiro, é que Di Caprio fuma o filme inteiro. Inclusive quando o filme sair no digital vou fazer uma conta do quanto vale em dólares cada baforada que ele dá em Uma Batalha Após a Outra.
Por último preciso elogiar finalmente toda a equipe técnica do filme, da direção de arte e trilha à pós produção deste absurdo que foi filmado em VistaVision e que ao assistir em iMax eu achei que já tinha visto de tudo na telona e vem PTA e nos dá na cara com o filme mais bem fotografado do ano.
NOTA: 



