Familia é um filme muito difícil de se assistir. Pelo menos pra mim foi.
E não porque o filme seja ruim, mal dirigido nem nada.
Mas Familia, sem acento mesmo, é um drama italiano pesadíssimo cheio de cenas de violência doméstica, o que me incomoda muito, cada vez mais.
Familia é o indicado da Itália a concorrer a vaga no Oscar 2026 de filme internacional e na minha opinião, não chega no short list.
O drama é inspirado no livro sobre a história real de Luigi Celeste e conta a história de claro, uma família de pai, mãe e 2 filhos onde o pai é um cara super violento que bate na mulher, bate nos filhos, maltrata todo mundo e deixa marcas profundas enquanto vive com eles.
Mesmo quando a polícia chega para levar o pai embora por pedido da mãe, os filhos acabam separados enquanto o processo ocorre.
Daí o filme dá um salto grande demais para o futuro onde um dos filhos, Gigi, é um proto fascista, um moleque que faz parte de um grupo neo fascista radical de extrema direita violenta, claro, que se espelhando nos ares péssimo do pai.
O filme é bem dirigido, tem um elenco ótimo, com um Francesco Di Leva roubando o filme como o pai escroto.
O problema de Familia (da família?) é o roteiro “recortado”, com uns pulos de lógica muito estranhos que quase levam o drama para um patamar diferente, bem ruim. Ter momentos que parecem de experimentação fílmica em uma obra absolutamente “careta” e “normal” não faz sentido algum.
O thriller que poderia acontecer no drama italiano como evolução óbvia da história não vem, transformando os vários problemas da história em casos chatos, como o da mãe que sofre com a violência do marido, da namorada fascista que não aguenta mais cuidar do nazistinha que só apanha e do outro filho que está na história quase que como um abajur que não funciona num canto de ponta cabeça desligado da parede.
Eu queria ter gostado mais do filme, mas o diretor Costabile não me ajudou.
Escrever no poster em letras garrafais que o filme é baseado em uma história real não justifica que Familia tenha um roteiro tão simplorio, com uma montagem por vezes sem sentido, contando com a história em si que seja suficiente para que a relação do espectador com o filme funcione plenamente.
NOTA: 


