GEMInIS

Entre Telas (Se Beber Não Case III)

por Gabriel Correia

É quase impossível prever a perenidade de uma franquia cinematográfica, algumas extrapolam as estimativas iniciais e se perpetuam através dos anos angariando uma comunidade de fãs diversificada e plural, como Star Wars e Rocky, enquanto outras surgem como uma grande aposta comercial e perdem fôlego com o passar dos anos, caso da trilogia Matrix. O fato é que somente o tempo poderá dizer se uma franquia como Se Beber Não Case será lembrada daqui a cinco, dez anos, como objeto de culto de fãs devotados ou apenas uma franquia outra, menor em relevância crítica e de público. Digo isso porque fico com a sensação ao assistir sua terceira parte de que algo promissor se perdeu entre o segundo e o terceiro filme da trilogia. Não que os dois primeiros filmes tenham sido um primor em qualquer aspecto, mas havia neles uma fagulha de caos e fúria dentro de uma interessante atualização da comédia mais voltada para o pastelão que em algum momento se perdeu nessa terceira parte. Os elementos dos filmes anteriores continuam ali, a ação cômica, as situações improváveis, uma pequena dose de escatologia e os amigos reunidos pelo acaso das circunstancias que nelas estreitam essa relação criada. Entretanto, por imposição dos produtores ou escolha do diretor, decidiu-se que o fim da trilogia deveria ser grandioso, épico, como dizem o material promocional do filme e as entrevistas da equipe que o produziu, e isso foi traduzido em sequências e mais sequências de perseguições de carro e fugas espetaculares, todas muito bem executadas e filmadas, perfeitas pra qualquer filme de ação de grande orçamento. O problema é que cenas de ação são empolgantes, mas sem um fundo dramático ou uma abordagem cômica correm o risco de se tornarem tempo morto dentro de um filme. Tempo que poderia ser melhor aproveitado explorando o mesmo tipo de situação cômica que fez a fama dos filmes anteriores e que configuram o melhor desta terceira parte. Só o tempo dirá, mas temo que a conclusão tenha sido, enfim, a verdadeira ressaca.

Coluna publicada originalmente na versão impressa do Jornal Primeira Página de São Carlos em 14 de Junho de 2013.

julho 11, 2013