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Sobre a Prática Transmídia – Domínio da Prática do Design – Comentários da aula de 15/06/2011

Assistir a uma série de narrativa complexa e com várias camadas que se interligam, como Lost, traz “perdas e ganhos” à experiência psicológica do consumidor – ele se frustra ao não ver respondidas algumas questões dos mistérios da ilha. Através de novas produções, como fan-fictions, os fãs de Lost fazem um balanceamento no sistema de perdas e ganhos, tentando resgatar e continuar a narrativa; assim como, sendo uma obra aberta, decifrá-la, compensando a não mais existência contínua das transmissões dos episódios na televisão (ou na internet).

“Produção  textual é o ‘modo’ predominante em Lost fanfiction, com uma alta proporção de histórias narradas na primeira pessoa; muitas vezes, os personagens mergulham no passado ​​(e futuro).”
“Os fãs também utilizar as suas histórias para testar hipóteses baseadas nas lacunas deixadas pelo programa de TV, oferecendo um outro potencial ‘ganho’. Nesse sentido, ‘escrevê-la’ facilita um processo de racionalização, fixando a narrativa de forma que ele está disponível para exames.”  (THOMAS, 2010).
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Uma das vantagens do aumento da complexidade das narrativas seriadas, ressaltada por Steven Johson em “Surpreendente” é, segundo Brownen Thomas, um incentivo a que os antigos consumidores de mão-unica passem a produzir trabalhos e reflexões escritas sobre os produtos. Há também um conjunto de referências explícitas a outras obras dentro de tais produtos. O Clube do Livro de Sawyer, por exemplo, nome dado ao conjunto de obras lidas pelo personagem da série durante as seis temporadas, fez com que os fãs mais ávidos buscassem os motivos da presença dessas obras literárias dentro do seriado.

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Isso não é algo exclusivo de Sawyer. Os próprios nomes dos personagens fazem referências a teóricos da filosofia, economia, psicologia e física, como David Hume (Desmond Hume), Michael Faraday (Daniel Faraday) e John Locke.

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Relacionar esses nomes com a personalidade e as atitudes dos náufragos da ilha de Lost é um exercício que não termina com o fim da série. Se toda obra é aberta e pode ser lida de diferentes maneiras conforme o contexto histórico e a passagem do tempo (ver Umberto Eco – Obra Aberta), o seriado do qual estamos falando, por deixar muitas brechas e incertezas, faz com que esse fator seja levado ao extremo.

A presença dessas referências também podem ser relacionadas às teorias desenvolvidas por Gerard Genètte, que as dividem em:

(l) Intertextualidade: um texto dentro outro;

(2) Paratextualidade: estabelece contato entre o texto, autor e leitor (títulos, prefácios e posfácios);

(3) Metatextualidade: um texto comenta sobre outro;

(4) Arquitextualidade: gêneros, tipos de discurso e os modos de enunciação que descrevem e classificam determinados textos;

(5) Hipertextualidade: o que coloca um texto em relação com outro texto.

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Multimodalidade

*Imagem disponível em http://startingat402.wordpress.com/

“Utilização dos diversos modos semióticos na concepção de um produto semiótico ou evento, juntamente com a maneira particular pela qual esses modos são combinados; eles podem, por exemplo, reforçarem-se mutuamente (“dizer a mesma coisa de formas diferentes”), desempenharem papéis complementares, […] ou serem hierarquicamente ordenados.” (Dena, p.7 In.: Kress and Van Leeuwen, 2001).
Bibliografia
GENETTE, Gerard. Introduction à l’architexte, 1979.
KRESS, G. & LEEUWEN, T. van Reading Images: The Grammar of Visual DesignLondon: Routledge, 1996
THOMAS, Brownen. “Gains and Losses? Writing it All Down: Fanfiction and Multimodality”. In: Page, R., ed. New Perspectives on Narrative and Multimodality. London: Routledge, pp. 142-154, 2010.